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  • Foto do escritorRenata Torres

O etarismo como ameaça para a sustentabilidade do negócio


Imagem mostrando um grupo de pessoas diversas incluindo pessoas com idade mais avançada e um box com a frase "O etarismo como ameaça para a sustentabilidade do negócio"​
Imagem mostrando um grupo de pessoas diversas incluindo pessoas com idade mais avançada e um box com a frase "O etarismo como ameaça para a sustentabilidade do negócio"​

Sabemos que as dimensões de diversidades mais conhecidas e mais consideradas nas ações dos programas e políticas de diversidade e inclusão das empresas são gênero, raça, pessoas com deficiências e LGBTQIA+. Uma outra dimensão da diversidade vem ganhando destaque nos últimos tempos, mas ainda é desconhecida e pouco trabalhada pela maioria das empresas: a diversidade de idade ou diversidade geracional.


Junto com ela, assim como com as demais, vem o preconceito. Temos o machismo, o racismo, o capacitismo e a homofobia como representantes, respectivamente, do preconceito contra a mulher, contra os negros, contra pessoas com deficiência e pessoas LGBTQIA+. O etarismo é o preconceito com base na idade da pessoa.


O conceito do etarismo foi criado pelo gerontólogo Robert N. Butler em 1969 e a princípio focava na discriminação contra adultos mais velhos. Com o passar do tempo o conceito evoluiu para incorporar qualquer preconceito com base na idade. Mas se levarmos em consideração o mercado de trabalho, ele se manifesta com mais impacto e intensidade contra pessoas acima dos 50 anos, idade na qual considera-se que a pessoa já está em uma idade avançada e pouco tem a contribuir no futuro para a empresa. Temas como por exemplo a aposentadoria compulsória, prevista em legislação, acirram essa discussão, uma vez que obrigam pessoas que chegam em determinada idade a se retirar de cena, mesmo com uma performance adequada e atendendo às expectativas do negócio.


Todo esse contexto é reforçado por questões culturais. No Brasil temos uma cultura jovem-cêntrica: saúde, inovação, beleza, criatividade são algumas das características associadas às pessoas jovens. Somos um país de jovens, o país do futuro! Será?


A pandemia do COVID-19 colocou a população com mais idade em evidência pelo fato de ser considerada como grupo de risco e descobrimos que se fomos um país de jovens, essa não é mais a nossa realidade. Com a pandemia, ficou mais evidente também o preconceito etário. Inicialmente a doença foi taxada por alguns como se fosse uma doença estritamente dos mais velhos, fazendo com que os profissionais com mais idade fizessem muitas vezes parte dos primeiros grupos de pessoas a serem desligadas das empresas.


De acordo com levantamentos populacionais para o ano de 2020, o Brasil tem cerca de 53 milhões de pessoas acima de 50 anos (25% da população). Em alguns estados já temos mais avós do que netos, isso quer dizer mais pessoas acima de 60 anos do que até 14. Estudos apontam que a partir de 1970 ganhamos mais 20 anos de vida, ou seja, estamos vivendo por mais tempo.

As projeções são de que até 2050 teremos 42% da população formada por pessoas acima dos 50 anos no Brasil, o que equivale a 98 milhões de pessoas!

E qual é o impacto do etarismo no mundo corporativo? Eu vejo como uma questão estratégica, seja olhando pelo lado do potencial de consumo dessas pessoas seja pelo lado de como alavancar a força de trabalho que é constituída por eles.


Analisando primeiro a dimensão do mercado consumidor, a dita economia prateada movimenta no Brasil o equivalente a R$1.8T e é preciso entender o comportamento e o perfil desses consumidores. A KPMG fez uma pesquisa antes da pandemia com 18 mil consumidores online em 51 países, incluindo o Brasil, e descobriu que as pessoas nascidas entre 1946 e 1964 compram tanto quanto as gerações mais novas. Outro estudo realizado com foco na economia prateada foi feito pela Fundação Dom Cabral, analisando o poder de compra de pessoas com mais de 60 anos. Uma das conclusões do estudo é que essas pessoas usam seu dinheiro em muitas outras coisas além de gastos com a saúde: viajam, investem, se relacionam e estudam.


E para se comunicar com essas pessoas as empresas precisam ter em seus quadros representantes desta parcela da população. Criar produtos e serviços para eles sem que eles participem ativamente do processo não me parece muito inteligente.


É aí que entra a outra dimensão a ser analisada: a população acima dos 50 anos como força de trabalho. É muito evidente que o mercado corporativo hoje enxerga pessoas mais velhas como pouco produtivas, pouco criativas, pouco inovadoras e com pouco valor a agregar para o negócio. Se não fosse assim, por que a taxa de empregabilidade cai drasticamente a partir dos 50 anos?


É aí que entra a camada da diversidade de idade. Apenas enfrentando o preconceito do etarismo de frente as empresas poderão se preparar para se adequar a uma nova realidade demográfica que se aproxima.

Se Diversidade = Inovação
Então Longevidade = Negócio Sustentável

Enfrentar os mitos e preconceitos da idade avançada no ambiente corporativo é entender que criatividade e inovação não têm a ver com idade. Na verdade, das 2,6 milhões de empresas criadas no país em 2018, 34,2% delas têm por trás pessoas acima dos 50 anos. Daqui a 3 anos eu mesma entro nessa estatística. 😉


Do ponto de vista de habilidades é desnecessário ressaltar o quanto que a experiência acumulada por essas pessoas por anos e anos pode beneficiar os resultados das equipes e o quanto que a inteligência emocional desenvolvida ao longo da vida também traz benefícios para o ambiente onde essas pessoas se encontram.



Foto de Renata Torres e Kaká Rodrigues, co-founders da Div.A, sorrindo. Ao lado direito o texto diz: "Queremos trazer mais equidade e justiça social para o mundo" e abaixo a borboleta que é a marca da Div.A - Diversidade Agora!
Foto de Renata Torres e Kaká Rodrigues, co-founders da Div.A, sorrindo. Ao lado direito o texto diz: "Queremos trazer mais equidade e justiça social para o mundo" e abaixo a borboleta que é a marca da Div.A - Diversidade Agora!




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