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  • Foto do escritorRenata Torres

Diversidade Cultural como fonte de Cultura de Diversidades


Imagem com título Diversidade Cultural como fonte de Cultura de Diversidades no lado esquerdo. Ao centro imagem de um homem segurando um globo, ambos coloridos e no canto superior direito logo da Div.A Diversidade Agora!
Imagem com título Diversidade Cultural como fonte de Cultura de Diversidades no lado esquerdo. Ao centro imagem de um homem segurando um globo, ambos coloridos e no canto superior direito logo da Div.A Diversidade Agora!

No dia 21 de maio é celebrado o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvolvimento. Muitos simplificam o dia como Dia Mundial da Diversidade, mas o objetivo por trás da instituição deste dia lá em 2002 pela UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) é bem abrangente e relevante.


Segundo a UNESCO, três quartos dos principais conflitos existentes no mundo possuem uma dimensão cultural. Criar espaços para se discutir como estabelecer diálogos, conviver com diferenças e respeitar particularidades de cada cultura é fundamental na busca por paz, estabilidade e desenvolvimento. Neste último aspecto, a diversidade cultural colabora não apenas com crescimento econômico, mas também como fonte de inovação e criatividade e como um meio de acesso a uma existência intelectual, afetiva, moral e espiritual. Ela permeia, portanto, todos os aspectos da vida dos indivíduos de uma sociedade. E dessa forma se constitui como um ativo importante na redução da pobreza e no estabelecimento do desenvolvimento sustentável. Viver com pouco ou nenhum acesso a atividades culturais traz uma diminuição relevante ao repertório de conhecimentos e à capacidade de convivência saudável dos indivíduos de uma comunidade.


No entanto, em função da pandemia da COVID-19, atualmente nos encontramos em uma situação de total privação de acesso às atividades culturais antes amplamente disponíveis: shows, teatros, cinemas, exposições e quaisquer atividades culturais presenciais que foram praticamente eliminadas trazendo impactos tanto para os profissionais da área de cultura, que ficaram impedidos de exercer suas atividades profissionais, como para o público dessas atividades. Este impacto é social, econômico e político, afetando o direito fundamental de acesso à cultura, os direitos sociais de artistas e profissionais criativos e a proteção da diversidade de expressões culturais.


É de se esperar, portanto, que governos que de fato reconhecem a importância e criticidade da diversidade cultural implementem ações de forma a minimizar o impacto causado pela pandemia nesse setor. Infelizmente não parece ser essa uma preocupação atual de nossos governantes na esfera federal. Conforme já destacado pela Div.A, o Conselho Federal da OAB propôs Ação Civil Pública contra o desmonte da Cultura no Brasil, dando entrada num processo contra o governo na Justiça Federal. A ação foi motivada pela suposta tática do governo de congelar o incentivo à cultura no país. Justamente num momento em que a cultura do nosso país mais precisa de apoio para se manter viva.


Mas como disse a atriz Marieta Severo, em 2019, quando o desmonte já dava sinais de que ia acontecer:


A arte, a ficção, a cultura, sempre, sempre renascem. Ela é fundamental para o ser humano. Ela é fundamental para um país. Ela é a alma do país. Ela que mostra para o mundo, para todo mundo quem a gente é.
(Marieta Severo)

E a cultura de um povo o acompanha onde quer que ele esteja. Para exemplificar isso, vamos considerar a questão dos refugiados. Pessoas que se veem obrigadas a deixarem seus países, suas casas, seus empregos, suas posses e chegam a outros lugares, muitas vezes com a roupa do corpo. Muitos, nem documentos conseguem salvar, dependendo do contexto em que deixam seus países. Mas suas origens, seu intelecto, seus conhecimentos, suas crenças, sua religião, seus valores, seus costumes, sua culinária, sua arte, sua identidade, ah... isso eles não perdem simplesmente por estarem em outro lugar.

E colocam isso tudo à disposição de um novo recomeço, de um novo lugar, de uma nova cultura que passa então a ter a oportunidade de absorver mais cultura, mais conhecimento e se transformar em algo diferente, inovador.


Aliás, a diversidade cultural e inovação andam de mãos dadas. Considerar que pessoas abrigam saberes diversos e que estes saberes juntos têm a capacidade de criar algo novo é colocar nosso olhar na curiosidade e não no julgamento, no interesse genuíno e não no preconceito, na possibilidade de novas descobertas e não na zona de conforto.


É esse olhar, o olhar que transforma a diversidade cultural em uma cultura de diversidades, que precisamos treinar. E para treiná-lo, é preciso muita empatia, muita vulnerabilidade, muita vontade de aprender e coragem para errar, muito foco e resiliência. Porque se na era da informação e de avançadas tecnologias de comunicação podemos esperar que a integração entre povos de diferentes culturas seja, hoje em dia, muito mais facilitada, é nas relações humanas que a integração cultural encontra seu principal desafio. E não tem nada mais humano do que a liberdade de manifestação cultural em todas as suas diversidades.



Foto de Renata Torres e Kaká Rodrigues, co-founders da Div.A, sorrindo. Ao lado direito o texto diz: "Queremos trazer mais equidade e justiça social para o mundo" e abaixo a borboleta que é a marca da Div.A - Diversidade Agora!
Foto de Renata Torres e Kaká Rodrigues, co-founders da Div.A, sorrindo. Ao lado direito o texto diz: "Queremos trazer mais equidade e justiça social para o mundo" e abaixo a borboleta que é a marca da Div.A - Diversidade Agora!




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