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  • Foto do escritorKaká Rodrigues

A pressa é inimiga da inclusão


6 pessoas em fila. Uma mulher negra, uma mulher cadeirante, uma mulher jovem, 2 homens jovens e um homem 50+

Então, é Natal! E o que você fez? Chegamos ao fim do ano que seria aquele que sobrevivemos à mais uma pandemia mundial. Só que não... Por mais que desejássemos estar planejando as nossas férias, planos para réveillon e carnaval ainda estão distantes de serem as escolhas mais conscientes em um mundo que vive em estado de alerta, com constantes abrir e fechar fronteiras e surgimento de novas variantes do vírus que vem nos forçando a questionar o “normal”. 


No mundo todo, a crise sanitária impactou a economia, intensificando as desigualdades. O aumento das desigualdades sociais também nos convidou a olhar para as características de quem fica mais à margem das oportunidades e para as origens históricas dessas exclusões.  

Gráficos e informações adicionais

A pandemia de Covid-19 não atinge a todos da mesma maneira. Diversas pesquisas científicas desenvolvidas por especialistas das mais diversas áreas como antropologia, bioética, história, medicina, comunicação, ciência política, psicologia, relações internacionais e políticas públicas, embasam essa constatação.


Os estudos de mais de 70 pesquisadores, publicados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ressaltam a maior pressão da pandemia para pessoas em situação de rua, indivíduos com transtorno mental, pessoas com deficiência, pessoas vivendo com HIV/Aids, moradores de favelas e periferias, população indígena, quilombola, negra, ribeirinha, carcerária, pessoas LGBTQIAP+, migrantes, refugiados e apátridas, além de trabalhadores informais, mulheres, crianças e adolescentes. 


Outras pesquisas apontam que o resultado vem das desigualdades de oportunidades no mercado de trabalho, de acordo com o gênero. Os dados da Rede Pública Solidária mostram, por exemplo, uma presença maior das mulheres nos setores mais afetados economicamente pela pandemia – enquanto homens estão mais presentes em setores chamados essenciais, as mulheres estão mais presentes nos setores não essenciais, como serviços domésticos, salões de beleza, comércio de artigos do vestuário, complementos e calçados.

 

E não é apenas a saúde física que está ameaçada. Os pesquisadores ressaltam que os impactos da pandemia sobre a saúde mental precisam ser observados com cautela e que a situação é um terreno fértil para o agravamento de quadros de sofrimento psicoemocional.


Ainda estamos no olho do furacão, o que nos impede de fazer uma avaliação mais completa dos estragos causados pela pandemia mundial. Até a muvuca do chamado Mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) se tornou obsoleta, dada a sua limitação para representar o que estamos vivendo. Afinal, não foi apenas o humano que despertou para a sua fragilidade.


BANI

De VUCA passamos para BANI. O novo termo, criado no ano de 2018 pelo autor, futurista norte-americano e antropólogo Jamais Cascio, surgiu após ele observar que o Mundo VUCA tinha ficado obsoleto e não se aplicava mais à realidade de um mundo tão acelerado quanto o nosso, principalmente após a pandemia da Covid-19.

No conceito BANI, o entendimento é de que o mundo em que estamos vivendo é frágil e parte do princípio de que o que temos certeza hoje pode virar uma incerteza amanhã. Ou seja, é preciso considerar que uma situação favorável e positiva pode simplesmente tomar um outro rumo.


A incerteza gera ansiedade. O senso de urgência tem pautado muito as nossas decisões e isso acaba virando gatilho para desencadear sentimentos de tristeza e angústia. As pessoas estão trabalhando com uma margem de erro maior, porém, fazem uso de atitudes mais rápidas para {aproveitar oportunidades. Diante de tantas tragédias e notícias ruins, as pessoas têm se fechado em uma bolha para se manterem afastadas de tudo aquilo que causa algum sofrimento. É uma tentativa de criar a falsa ilusão de que cada um de nós tem controle sobre as coisas.


Em uma realidade não-linear, planejamentos a longo prazo podem não fazer mais sentido no Mundo BANI. Isto acontece porque várias ações estão em curso simultaneamente e, fazendo com que nós não tenhamos controle daquilo que está por vir. Ao mesmo tempo é difícil ver as conexões entre diferentes coisas ou perceber que outros projetos e processos acontecem paralelamente ao nosso redor. É por isso que o Mundo BANI nos coloca em uma constante mudança, mostrando que, rapidamente, teremos que adaptar a forma como trabalhamos para fazer parte desta nova realidade.


O paradoxo do Incompreensível, é que o que mais temos acesso hoje em dia são informações. Não é de hoje que buscamos respostas para tudo, só que, por outro lado, montar uma estratégia baseada apenas em dados pode não ser sinônimo de sucesso, tendo em vista que mudamos de ideia o tempo todo.


Diante de uma realidade com tantas mudanças e acontecimentos, é fácil perder a conexão com a realidade e ter dificuldade em compreender o mundo em que estamos vivendo. Para fechar esse raciocínio, na próxima semana vamos trazer alguns dados sobre o futuro do trabalho e mostrar porque, na nossa visão, a pressa é inimiga da inclusão. Até lá!


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