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  • Foto do escritorKaká Rodrigues

A pressa é inimiga da inclusão

(Parte 2)

Desenho de uma raposa, um coelho e um bicho-preguiça.

Na semana passada, iniciamos essa reflexão a partir da compreensão dos impactos da pandemia mundial nas pessoas e no mercado de trabalho, bem como nas mudanças do mundo VUCA para o mundo BANI, detalhadas no artigo ... veja lá, se você está caindo de paraquedas por aqui...

 

Dando continuidade à reflexão sobre pressa e inclusão, reforçamos que diante de uma realidade com tantas mudanças e acontecimentos, é fácil perder a conexão com a realidade e ter dificuldade em compreender o mundo em que estamos vivendo. O avanço tecnológico também fez a sua contribuição em diversas áreas e a sensação que temos hoje é que já não é mais possível entender a forma como as coisas funcionam.

 

A pesquisa The Future of work after COVID-19, publicada em fevereiro de 2021 pelo McKinsey Global Institute, mostrou que a pandemia acelerou tendências em termos de trabalho remoto, e-commerce e automação, com um aumento de 25% no número de trabalhadores que podem ser obrigados a mudar de ocupação, em relação a estimativas anteriores.


O estudo buscou avaliar o impacto de longo prazo da pandemia na demanda de mão de obra, no mix de ocupações e nos requerimentos de habilidades da força de trabalho em oito países com diferentes modelos econômicos e diferentes mercados de trabalho: China, França, Alemanha, Índia, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Juntos, esses oito países respondem por metade da população mundial e 62% do PIB global.


Gráfico da parcela da população que talvez precise fazer transição

Mais uma vez, os resultados apontam para desigualdades no impacto das mudanças, especialmente para grupos minorizados. Por exemplo, um maior estímulo para a automação e uso de inteligência artificial em ocupações que envolvem alta proximidade física, afetaria mais mulheres pois são elas que realizam mais os serviços de cuidado, hotelaria, supermercados, call centers etc.


As tendências de transição de mão de obra aumentam a urgência para que empresas e governos tomem medidas destinadas a apoiar programas de treinamento e educação adicionais para os trabalhadores. Tanto as empresas como os governos mostraram capacidades de flexibilização e adaptabilidade em resposta à pandemia com propósito e inovação, as quais eles também poderiam utilizar para requalificar a mão de obra visando a um futuro mais promissor para o trabalho.


Segundo a McKinsey, tanto as empresas como os formuladores de políticas públicas podem colaborar para apoiar os trabalhadores na transição entre as ocupações. Com o estabelecimento da iniciativa Pact for Skills na União Europeia durante a pandemia, empresas e autoridades públicas destinaram 7 bilhões de euros à capacitação de cerca de 700.000 trabalhadores de empresas automotivas. Nos Estados Unidos, por sua vez, a Merck e outras grandes empresas investiram mais de US$100 milhões no aprimoramento das habilidades de trabalhadores negros sem grau universitário e na criação de postos de trabalho voltados a esse público.


A recompensa desses esforços seria uma força de trabalho mais resiliente, talentosa e mais bem remunerada – além de uma sociedade mais sólida e equitativa. Mas apesar da urgência desses importantes avanços, muitas vezes a pressa na obtenção de resultados se torna um empecilho para que compromissos de longo termo sejam oficializados.

 

As desigualdades estruturais se manifestam nas organizações em comportamentos discriminatórios ou, no mínimo, orientados por vieses inconscientes. Mudar tais comportamentos exige tempo pois é necessário que as instituições se comprometam em investir em políticas de equidade e segurança psicológica, enquanto todas as pessoas, especialmente àquelas em posição de liderança, precisarão investir tempo e recursos em autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.

 

“Quem não se posiciona contra o racismo, está se posicionando a favor dele, porque não existe neutralidade na discussão racial. Ou você é ou você não é.”

Benilda Brito

 

Por tudo isso, precisamos saber diferenciar urgência de pressa. Precisamos fazer o que precisa ser feito, com a consciência de que os resultados consistentes podem demorar anos e até décadas para chegar de maneira sustentável. E ao mesmo tempo, entender que a mudança precisa começar agora pois é urgente cuidar das necessidades básicas das pessoas como a fome, abrigo, saúde física e mental.

 

Fontes:

 

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