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  • Foto do escritorKaká Rodrigues

Muito bonito o seu discurso, pena que eu já trabalhei com você



Recentemente eu vi alguns posts aqui no LinkedIn com a frase do título, que me chamou a atenção. Por trás do sarcasmo, que pode ser percebido como uma comunicação violenta, consegui perceber algumas necessidades desatendidas como: confiança, congruência, integridade e autenticidade.

Para quem já trabalhou com pessoas com comportamento abusivo, o sarcasmo, apesar de ser uma expressão trágica de necessidades não atendidas, pode ser usado como uma arma de defesa. Afinal, entendo que não é nada confortável trabalhar com quem não demonstra respeito e consideração por nós, certo?


Mas, e quando a fonte da desconfiança não é uma pessoa e sim a organização? Na semana passada saiu o resultado do Prêmio Exame de Diversidade, uma publicação pioneira no Brasil, que contava com o apoio técnico de diversas organizações respeitadas e que se tornou uma referência importante para o setor empresarial na promoção da diversidade e inclusão. Sim, você leu certo: contava.


No dia anterior à publicação, o Movimento Mulher 360, o Instituto Ethos, o CEERT, o Fórum de Empresas LGBT e a Rede Empresarial de Inclusão Social soltaram uma nota manifestando o seu desacordo com os métodos utilizados e com a forma como esse trabalho foi conduzido em suas etapas finais.



Segundo o documento, os parceiros citados receberam com muita surpresa informações sobre como a Exame pretendia consolidar e divulgar os resultados da 3ª edição do Guia Exame de Diversidade. Entre outras alegações, a nota destacava que os parceiros não concordavam com alterações na seleção dos destaques do prêmio, tendo em vista que seria dado maior destaque às empresas selecionadas a partir de critérios editoriais, e não os previstos na metodologia previamente estabelecida.


Ou seja, o processo e a metodologia do guia que foram criados para dar objetividade à escolha das empresas que terão suas ações destacadas seria em parte desconsiderado. Segundo a nota, a proposta de “selecionar os destaques por critérios editoriais é subjetivo e dá margem a questionamentos sobre a credibilidade da iniciativa. Além disso, não dar visibilidade às que foram selecionadas como destaque pela metodologia previamente definida é ir na contramão do que estabelecemos como processo de premiação, além de desrespeitar o acordo que fizemos com as empresas participantes.”


Ao final, as instituições lamentaram que o investimento de tempo, recursos humanos e dedicação ao processo feito pelas empresas participantes, não tenho sido respondido à altura. Ou seja, se você seguiu toda a cartilha, atendeu aos critérios da metodologia, mas por questões da pauta editorial não foi uma empresa selecionada, a culpa não é sua.


Já se, por questões editoriais, a sua empresa foi selecionada como destaque na 3ª edição do Prêmio Exame de Diversidade, quero te parabenizar pelo discurso. E aproveito para deixar a pergunta: quem já trabalhou com você, está comemorando ou lamentando a sua escolha?


Por fim, sobre a frase que intitula esse artigo, gostaria de fazer uma pequena sugestão de alteração: “Muito bonito o seu discurso, pena que eu TRABALHO com você”. Trazer o tempo verbal para o presente faz toda a diferença para mim porque sim, eu valorizo a confiança, a congruência, a integridade e a autenticidade, enquanto ao mesmo tempo acredito que pessoas e empresas podem aprender com as suas experiências. Se hoje, você tem posturas que destoam do seu discurso, ainda há tempo para aprender o valor do “walk the talk”*.


*“Walk the Talk” é uma expressão em inglês que significa "estar de acordo com o que se fala"​, ou seja, cumprir aquilo que se promete.


O outro lado: Comunicado sobre o Guia EXAME Diversidade






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